segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que me irrita

Por mais indiano, tibetano ou franciscano que você seja, confesse, caro leitor, alguma coisa nessa vida é capaz de te tirar do sério, pois sim?


Não há cristão no mundo que esteja isento desse sentimento tão humano, portanto, não há do que se envergonhar.
Só não se pode permitir que isso faça a gente perder o controle, certo?

Vai abaixo a lista de coisinhas que me irritam profundamente.



1. Falta de educação
Ah, se isso desse cadeia!

2. Todo e qualquer tipo de abuso
Por favor, me poupe!

3. Funk carioca
Lixo!

4. Quem confunde discussão com briga
Já dizia a filósofa Chiquinha, amiga do Chaves: "da discussão nasce a luz!"
Pena que a maioria vê a discussão como o princípio da 3ª guerra mundial; a discordância como um ataque pessoal; o questionamento como uma afronta... Que falta de civilidade!
E mesmo quando o caso for um desentendimento brabo, tudo pode ser dito e feito com respeito, pô!
Eu fico fulíssima quando estou debatendo um problema com alguém, e a pessoa, sem argumentos pra se defender, começa a atacar, levantando rusgas antigas ou mesmo defeitos meus (que realmente são muitos!) mas que não têm nada a ver com o tema em questão.
Que covardia! Isso é tão feio e tão comum!
Vamos discutir, mas uma coisa de cada vez, pode ser?


5. Telemarketing

Tenho muita pena dessa classe tão hostilizada, mas eles dão mole demais, pôxa!

6. Constrangimentos
Nada justifica!

7. Adultos imaturos
Imaturidade só é tolerável na infância, adolescência e juventude. Mesmo assim, o jovem tem que buscar seu crescimento mental o quanto antes, pra chegar nas fases seguintes o mais preparado possível. Se assim não for, ele vai engrossar o desfile de vexames que vemos quase todo dia, protagonizados por tiozinhos sem noção.

8. Desperdício (principalmente de água e luz)
Falta de consciência ecológica e coletiva, me mata!

9. Birra de criança mimada
Ô vontade de dar um beliscão! Na criança e principalmente na mãe songamonga!

10. Quem fala de si, na 3ª pessoa
Nessa categoria, Pelé também é rei. Mas há outros.

11. Narcisista: o convencido e egocêntrico
Ele se acha a bala que matou Kennedy e só sabe falar de si. Que azar, cruzar o caminho com esse tipinho!
Ô povo que me dá azia!


12. Cigarro
Sonho com o dia em que fumar em público seja um crime.

13. Insistência
Por favor, me ofereça ou me peça só uma vez, tá?

14. Dedo no meu umbigo
Porque eu fico tonta.

15. Falta do senso de ridículo
Gordas e/ou idosas com roupitchas não apropriadas que deixam suas "sobras" à mostra. Isso é o fim, minha gente!

6. Indisciplina

Gente que não cumpre o horário; que falta aos compromissos assumidos; que não sabe calar a boca quando o outro está com a palavra... putz!

17. Banheiro público imundo
Socorro!

18. Lugar-comum
Frases do tipo: "Vamos dar tempo ao tempo"; "foi uma perda irreparável"; "um beijo no seu coração"; "dignidade da pessoa humana"; "cada caso é um caso"; "há políticos e políticos!" ; "o filme foi pra lá de interessante"; (ODEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIO!)

19. Redemoinho no cabelo
Aquela curva com vontade própria que um pedaço da cabeleira teima em fazer.
Solução: ou você passa a máquina zero ou se conforma com resignação.

20. Lista de compras do supermercado
Desculpa, isso me irrita, fazer o quê?!

21. Alguns sotaques e algumas gírias
Tem uns que me dão nos nervos!

22. Ataque de estrelismo
Ai que preguiiiiiiiiiiiiiiiça!
Vai caçar uma laje pra bater, vai?

23. Mãe de miss
Toda mãe tem orgulho de sua prole, tudo bem; mas a mãe de miss vai muito além!
Tão patético quanto um parasita, que vive às custas de, a mãe de miss vive em função de.
Ela se anula, se projeta na filha, se realiza com os "feitos" da filha, faz de um tudo pra vê-la no topo do mundo, cava as oportunidades com todas as possíveis e inimagináveis ferramentas e dá chilique se alguém tenta impedir o acesso de sua filha aos píncaros da glória!

URGH!
É uma coitada!
Vai caçar um rodapé pra lustrar, vai?

24. O "amigão"
Aquele fulano sem noção que chega na maior intimidade. Normalmente é um fã ou simplesmente um cara que quer parecer super enturmado com gente bacana.
Vai caçar um lote pra capinar, vai?

25. Gerundismo
Justiça seja feita, essa praga parece estar se extinguindo.

26. Ver minha casa bagunçada
Para nós, Metódicos S.A., além de irritante, isso é uma tortura!

27. Língua presa

E você já viu quantas modalidades de língua presa existem ao seu redor?
Nada contra a pessoa, mas diante de alguém com língua presa eu tenho que desviar o olhar, porque me dá uma gastura atroz!

28. Explicar a piada
Surge uma situação ou você vê uma cena e aquilo te dá uma incrível inspiração. Você faz um comentário hilário, com aquele humor sutil e o seu interlocutor simplesmente não acompanha sua genialidade!
Que derrota!

29. Flanelinhas
Deus me perdoe, mas eu os detesto!

30. Afetação
Tudo bem, esse conceito é bem subjetivo, mas pra mim é tão real!

31.
Motorista solitário
Ele pensa que está dirigindo sozinho pelas ruas e é dono de cada pedaço do asfalto.
É por isso ele pára em fila dupla e estaciona em portas de garagem;
fecha cruzamentos; entra em qualquer direção sem dar seta; deixa o carro na transversal da rua, enquanto abre ou fecha o portão; diminui a marcha, enquanto procura o endereço, mesmo com uma enorme fila de carros atrás; anda lentamente na esquerda e não dá a mínima se está arregaçando todo o trânsito... E se você for louco de reclamar e ele estiver armado, não se iluda: ele vai te dar um tiro ali mesmo!
Fique na sua e sofra calado.


32. Falsidade e inveja
Não há dúvida: essa gente é tão maléfica e perigosa quanto Fernandinho Beira-mar, o tarado do parque, José Sarney e seus asseclas, Odete Reutemann, planta carnívora, o vírus HIV, o monstro do Lago Ness, um meteoro desgovernado, um copo de cianureto...

33.
Perguntas idiotas
Tolerância zero ou respostas cretinas.
Por exemplo: você tira um talão de cheques na loja, o caixa olha e pergunta:
- Vai pagar com cheque?
- Não! Vou usar a folha do cheque pra treinar continhas de MMC, MDC e raiz quadrada.
Dââââ...

34. Melosidades
Pessoas melosas; textos, poesias, mensagens de power point, filmes, músicas melosas... minha nossa! Eu morro afogada em tanta glicose!

E você, tem a manha de compartilhar o que te irrita?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Bellas falas

Ontem, no centro da cidade, passei ao lado de uma banca de jornal e vi que ali vendia-se livros usados. Ávida por uma boa leitura, parei pra ver se naquele mini-sebo tinha alguma coisa que valesse a pena.
Eis que encontro, em perfeito estado de conservação, um livro do Miguel Falabella que só pelo título, já me conquistou: "Pequenas alegrias".
(Confesso que não sabia que ele tinha livro escrito! E descobri em seu site - http://www.miguelfalabella.com.br - que são 3, ao todo).

Ao abrir o livro pra ver o preço, vi que custava inacreditáveis R$ 2,00!
(K entre nós, isso chega a ser um desrespeito, pôxa! Tanta dedicação investida, tanto sentimento empregado, tanto tempo gasto num trabalho... pra receber, no final, o preço de uma água mineral?! Sinceramente, mesmo sendo livro usado, mesmo sendo revenda, fiquei constrangida de abrir a carteira pra pagar um valor tão ínfimo! Ainda mais depois que li aquela pequena preciosidade!)

O livro é uma delícia! Do ano de 1993, ali você tem uma reunião de textos do Miguel, que foram publicados em jornais. São crônicas jornalísticas divididas em dois temas: "Coração insular", onde ele conta várias histórias de sua infância na Ilha do Governador-RJ; e "Coração urbano", com histórias já da fase adulta, na selva de pedra do Rio, capital.

Fiquei muito bem impressionada, querendo recomendar esse livro pra todo mundo, principalmente pra minha mãe, que nunca foi muito com a cara dele! hahahahaha!!!!

Miguel Falabella é sabidamente um artista consagrado, por atuar em várias frentes (canta, dança, representa, pinta, borda, tricota, richuleia...) e ser competente em tudo o que faz; mas no livro é possível conhecer um pouco mais dessa mente brilhante, inquieta e extremamente sensível. Além da diversão (histórias en-gra-ça-dís-si-mas!), ele também me levou à reflexão e me emocionou em vários trechos. Destaco a história da menininha que foi pedir autógrafo pra ele num restaurante e ele, com um super mau humor no dia, pasmem, negou! A amiga que o acompanhava no jantar, deu a maior bronca e ali, no mesmo instante, ele reviu sua postura. Aliás, há outras confissões, de arrependimentos inclusive, como o tempo em que ele tinha vergonha de ser brasileiro e se dizia turista, proveniente de algum país europeu.
Fora as figuras marcantes de sua vida (a mãe, a avó, as tias, a fiel empregada, os ídolos do cinema, os bichos de estimação...), todos com passagens e episódios tão interessantes.


Eu li todo o livro numa sentada só e ao me aproximar do final, já foi me dando aquela dorzinha de saudade e pena de me despedir daquelas letras tão bem escritas.

Realmente eu não me lembro de ter visto R$ 2,00 valeram tanto!



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vale tudo!

Ah, tááááááá!!!!!! Agora entendiiiiii!!!!!!!
As peças do estranho quebra-cabeça se encaixam direitinho e meus olhos vêem!

Então quer dizer que está em vigor a nova estratégia de "marketing pessoal" do século XXI: escândalos, vexames, micos, saia justa, superexposição, bizarrices, manias esquisitas, qualquer coisa fora do comum ou do normal para estar na mídia, custe o que custar!

Menino, como eu não percebi antes?!
Claro!
Agora tudo se desvenda diante de mim!

Podemos constatar que esse "novo método" é aderido e explorado principalmente por artistas decadentes, que não se conformam com o ostracismo forçado ou por candidatos, (principalmente candidatas!) ao estrelato.
Obviamente que a classe política também usa desses recursos, mas sempre tomando muito cuidado, afinal, não se pode arranhar a imagem junto ao eleitorado, né?

Você pode até argumentar que desde que o mundo é mundo, sempre houve escândalos envolvendo pessoas públicas. É verdade, mas antigamente pessoas flagradas procendendo mal, sofriam a reprovação popular, eram boicotadas e caíam em desgraça. Se quisessem voltar à carreira, tinham que reconquistar seu público. Hoje não! Pessoas com mau comportamento, que dão mau exemplo ,"colhem" espaço na mídia e viram uma espécie de "atração diferente". São convidados especiais dos programas de tv, dão entrevistas, enfim, tiram o máximo de "proveito" por estarem no ar, às vezes até "dão sorte" de manterem por um bom tempo no horário nobre.

Uma pequena prova do quanto os valores estão invertidos é o fato de que antigamente os vilões de novela apanhavam na rua e eram hostilizados pelos telespectadores. Hoje não! Os vilões fazem muito mais sucesso que os mocinhos, tidos como chatos, sem graça, monótonos...


Quem pensa que só o belo e o louvável tem ibope, está muito engando! Atitudes questionáveis e/ou chocantes e/ou ridículas são as novas ferramentas, os novos atalhos usados para quem quer aparecer e "fazer sucesso". Tem gente que faz qualquer negócio e se submete a qualquer tipo de constrangimento, fingem até estarem envergonhados, desde que o retorno seja "se promover".
É por isso que todo dia a gente se depara com notícias assim:
  • cantora bêbada, drogada ou possuída erra a letra do Hino Nacional e deixa o Brasil estarrecido;
  • apresentadora infantil diz que conversa com duendes em sua cama;
  • atriz hollywoodiana rouba peças íntimas de famosa loja de departamentos;
  • comediante centenária mostra os seios em pleno desfile na Sapucaí;
  • cantor que tem medo de avião, some misteriosamente;
  • ex-galã, fortão e garanhão estreia em filme pornô;
  • jogador balofo em fim de carreira faz programa com tres prostitutas e descobre que eram travestis. Sua noiva ameaça deixá-lo;
  • modelo e manequim faz cirurgia plástica para reconstituir o hímem e voltar a ser virgem;
  • senador gagá dá cartão vermelho para senador velhaco;
  • ex-vocalista de banda teen engole uma pilha;
  • socialite carioca e narcisista atira ovos em transeuntes de bairro nobre, do alto da janela do apartamento dum amigo, ex-diretor de tv;
  • filha de apresentadora infantil que conversa com duendes em sua cama escreve errado no twitter e vira motivo de chacota em todo o país;
  • apresentadora anciã dá beijo na boca de cantora baiana;
  • ex-atriz, num momento de fúria, lança seu carro de luxo contra portão do prédio de seu ex-marido cantor;
  • estudante desesperada faz leilão de sua virgindade na internet;
  • cantora internacional lança videoclip onde aparece em cenas quentes com santo da igreja católica;
  • apresentadora e ex-mulher do jogador balofo é filmada transando com namorado em local público a céu aberto, em plena luz do dia e video cai na rede, tendo milhões de acessos no Youtube;
  • cantora de sucesso mostra hematomas e marcas das surras que levava do namorado, um cantor de sucesso;
  • princesinha do pop raspa a cabeça e bate em fotógrafo;
  • ex-dançarina sexy, filha de ex-cantora sexy posa nua com sua nova namorada;
  • modelo e atriz, num momento de descuido, deixa a calcinha à mostra para toda a imprensa nacional;
  • jovenzinho põe video no Youtube com o seu desabafo em defesa da filha da apresentadora infantil que conversa com duendes em sua cama;
O troço é tão sério, que existe até o papagaio de pirata profissional! Aquele tipo que vai a todos os eventos badalados: desfile de moda, estreia de filme ou peça teatral, noite de autógrafos, velórios, missa de sétido dia, audiência no tribunal...
Onde tiver um monte de artistas e jornalistas, lá estará o fulano, só para se postar atrás dos famosos e sair, ao fundo, em todas as revistas ou reportagens de tv.

Que prazer egocêntrico é esse?!
Que necessidade é essa?!

É claro que o reconhecimento é algo positivo e todos o almejam por ser altamente motivador; mas a gente sempre parte do pressuposto que uma pessoa quer ser reconhecida por algum trabalho relevante que fez, oras!
O problema é que o conceito de "trabalho" também foi alterado nesses dias modernos em que vivemos. Hoje em dia, até frequentar festas é "trabalho"! O que se ganha com isso, além da diversão? Dependendo do "artista", um bom cachê e, claro, aquilo que pra muitos não tem preço: visibilidade!


Isso me fez lembrar uma música do Jair Oliveira, cuja letra é o fiel retrato dessa nossa sociedade fútil, que quer fazer da vida um reality show, só pra alcançar a fama:

Todo Mundo Famoso

Cheguei em casa sem o que fazer
Vi que um amigo estava na TV
Fazendo o que, eu não sei bem dizer
Estava em uma casa luxuosa dizendo bobagens
Saí pra rua para refletir
Um guarda de rua veio me pedir
O meu autógrafo de "souvenir"
E vi que aquele guarda também era uma celebridade

Curioso!
Tá todo mundo famoso
Duvidoso!
Não sei se é bom ou perigoso
É todo mundo famoso
Todo mundo querendo atenção
Tá todo mundo famoso
Todo mundo famoso
Tá todo mundo famoso
Todo mundo famoso

Na padaria agora é normal
Encontros de coluna social
Donas de casa de padrão global
E segurança dando mais autógrafos que o protegido
Voltei e desliguei minha TV
Deitei na cama e pude perceber
Que havia câmeras em meu "apê"
Ou o mundo está ficando doido
Ou eu que estou perdido

Alguns artistas, no fundo do poço do esquecimento popular, ao verem frustradas todas as suas tentativas de volta ao sucesso, chegam ao extremo e dão sua última e decisiva cartada: morrem!
Vão virar notícia na certa!

Não sei pra quê Andy Warhol foi falar aquela maldita frase que "no futuro toda a gente será famosa durante quinze minutos".
Tá vendo? Uma multidão tem levando isso à sério demais!

É assustador, mas a filosofia daquele velho político-ladrão paulista parece ter tomado conta do inconsciente coletivo: "bem ou mal, falem de mim".

Me inclui fora dessa, ok?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Distraída, eu?! (Parte II)

Está cada vez mais difícil adiar o momento em que terei de encarar o manto, a coroa, o cetro e o título de "Rainha da Distração", depois da cena que protagonizei ontem!

Há alguns dias, meu marido e eu planejamos fazer uma viagem a São Paulo, pra algumas compras. Viagem relâmpago, do tipo bate e volta, mas uma viagem, já que ele está de férias e é sempre bom dar uma escapada de BH.
Ele fez essa viagem no ano passado e, apesar de super cansativa, gostou da experiência, pois fez ótimas compras pra loja da família. (Essa era a nossa intenção agora, de novo. Eu disse ERA!)

No fim da tarde de ontem, meu genrinho querido passou aqui em casa pra nos buscar e nos levar ao terminal rodoviário, de onde partiríamos num ônibus maneiríssimo, às 7:00 da noite.
Eu, feliz da vida, toda serelepe, principalmente por não ter que fazer mala nenhuma, estava pronta pra me jogar em São Paulo, que tanto gosto.
Lá fomos nós.

Chegamos na agência de turismo, responsável pela viagem, no horário certinho, um pouco antes das 6:30 da tarde.
Enquanto o genro estacionava o carro pra esperar minha filha, que se encontraria com a gente lá, eu me sentei numa cadeira dentro da agência e meu marido foi fazer os acertos com a funcionária.

Eis que ela comete a barbaridade de pedir os nossos documentos! Meu marido abriu a carteira, pegou a identidade dele, olhou pra mim e comete a barbaridade de me pedir a minha!
(...)
Quem falou que eu levei?!
(...)
Eu simplesmente me esqueci!
(...)
Minha nossa!
Eu estava lisa, lesa e louca! Sem lenço e sem documento algum!
(...)
O que é isso, minha gente?!
Como assim?!


Eu fiquei pa-ra-li-sa-da, com a boca arriada e olhos arregalados, fixos no meu marido, torcendo desesperada pra que ninguém presente ali percebesse o que tinha acontecido!
S O C O R R O!

Que decepção! Que vergonha! Que raiva de mim!
Quem já viu alguém ir viajar e não levar nenhum documento de identificação?!
Gente, isso é tão elementar!
Logo eu, que há tanto tempo organizo todas as viagens do "meu" Coral e sei, mais que ninguém, a necessidade de se levar qualquer documento de identidade!

O vexame do ano!

Eu quis me esconder dentro de uma garrafa, como fazia Jeannie é um gênio!

Meu marido, que conhece muito bem o seu gado, mais uma vez foi discreto e generoso comigo, mas mais que depressa pelejava pra achar uma solução.
A essa altura meu genro tinha chegado lá com a minha filha, que ficou estarrecida com o meu "feito"!
"Mãe! Nem na padaria a gente deve ir sem documento!"
Ó Dio mio!
Sem falar que
se eu estivesse ali sozinha e morresse, seria sepultada como indigente!
AFE!

Meu genrinho, sempre com muita iniciativa e super boa vontade, conversou com o guia, pra segurar a saída do ônibus um pouquinho e praticamente me puxou pela mão pra virmos aqui em casa buscar o raio do documento. Eu até entrei no carro com ele, mas completamente desanimada por ver a dureza da realidade: não daria tempo!
Se estivéssemos em qualquer outro horário do dia, talvez desse, mas na hora do auge do rush... sem chance!
Chegamos a dar a volta no quarteirão, mas ele mesmo viu que seria em vão, pois o trânsito tava impossível!

Voltamos pra agência, no terminal, onde meu marido, ciente de que a qualquer momento apareceríamos com o rabinho entre as pernas, já estava cogitando contratar um motoboy. Meu genro, então, começa a dar zilhões de telefonemas pra localizar alguém de confiança, da empresa dele.
Mas aí meu marido tem uma ideia melhor: mandar o documento por fax!
Ele perguntou na agência se seria possível, naquela pressão toda, o pessoal lá falou que tudo bem.
Plim! Uma pequenina luz se acende lá longe!
Ô glória!


Ele liga aqui pra casa, relata o ocorrido ao meu filho, que tinha acabado de chegar da escola, e manda que ele providencie o envio da minha identidade com urgência total!
O detalhe é que não temos fax em casa.
Lá vai meu filho caçar um fax em algum estabelecimento comercial do nosso bairro!
Ó céus!

Achar, ele até achou, mas, misteriosamente, nenhum funcionou. Nem o aparelho de onde ele tentou enviar, nem os 3, da agência e de outras agências vizinhas, que receberiam!
No fim, cheguei à conclusão que todos os aparelhos de fax da cidade estavam com defeito!
Que coisa, viu?

É... não deu!
Não era mesmo pra gente viajar naquele dia!
Como sabemos que em tudo devemos dar graças, chegamos em casa e agradecemos a Deus. Seja lá pelo que for, agradecemos!

Bem, nem tudo ficou perdido! Saímos da agência com os nossos nomes já matriculados pra próxima viagem, amanhã à noite. Só que dessa vez, vou levar não só o meu RG, mas também o CPF, CNH, certidão de nascimento, carteira da Ordem dos Músicos do Brasil, título de eleitor, certificado de batismo e o resultado dos meus mais recentes exames laboratoriais, mais a mamografia; só pra garantir, né?

Mas... vou te contar, viu? Duro mesmo está sendo aguentar a zuação implacável do meu marido, remedando, o tempo todo, a cara que eu fiz naquela hora infeliz!
ahahahahaha!!!!!
Hilário!

Rir pra não chorar!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Homenagem ao malandro

Acabo de ouvir no rádio uma música do sempre genial Chico Buarque.
Como esse cara sabe das coisas!
Uma música feita há tanto tempo e tão atual! (Que país é esse?!)
Aliás, o 3º parágrafo dessa música é o retrato perfeito dos noticiários desses últimos dias em que só se ouve sobre secretária versus ministra, a velha guerra das emissoras de tv e dos abusos, manobras e um desfile de horrores praticados por pastores-monstros, senadores-monstros, médico-monstro... QUE NOJO! NO-JO! N-O-J-O!


A música fala de malandragem, mas você pode substituir por "pilantragem", que também dá certinho!

Abaixo, a letra:

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem
que aquela tal malandragem
não existe mais

Agora já não é normal
o que dá de malandro regular, profissional
malandro com aparato de malandro oficial
malandro candidato a malandro federal
malandro com retrato na coluna social
malandro com contrato, com gravata e capital
que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer
- não espalha
aposentou a navalha
tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
mora lá longe e chacoalha
num trem da Central


Chico Gênio! Bravo! Bravo!

Ainda bem que no meio de tanta lama e podridão, existe espaço pro atleta jamaicano Usain Bolt, um malandro do Bem que tem fascinado e divertido o mundo com sua competência e malandragem totalmente inofensiva.




domingo, 2 de agosto de 2009

Jill & Kevin

Ontem assisti a um video no Youtube, do qual já havia ouvido falar há alguns dias.
Trata-se de uma cerimônia de casamento, onde os padrinhos e noivos fazem do ritual da entrada (de uma maneira totalmente inusitada) um verdadeiro acontecimento! Acontecimento esse que, aliás, não marcou apenas os convidados presentes, mas também outras tantas pessoas que nem sequer conhecem o casal. Basta ver que as visualizações passam da casa dos 14 milhões! Um espanto!

Mais que fascinada pela inovação e ousadia, fiquei emocionada por ver ali uma alegria explícita! Não só dos noivos, mas também dos amigos envolvidos que participaram do show. Todos celebrando o dia que deveria ser o mais especial na vida de qualquer pessoa.
É lindo! Completamente lindo!

A única coisa profundamente lamentável (pôxa, um "detalhe" tão importante!), é que tudo acontece DENTRO DE UMA IGREJA, o que é absolutamente inconveniente! Mas é tudo tão sincero e contagiante, que a gente é obrigado a relevar, vai!

Como não consegui descobrir como se faz pra adicionar o video aqui, vai aí o link (
http://www.youtube.com/watch?v=4-94JhLEiN0) pra você colar no seu navegador. Se não souber como se faz isso, vá no youtube e digite no campo de pesquisar: "JK wedding entrance dance".
É SENSACIONAL!
Com toda a certeza você nunca viu nada parecido!


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ser ou não ser justo

É difícil dizer, dentre tantas virtudes, qual delas é a mais nobre e admirável. Na verdade, todas elas o são, pelo simples fato de serem virtudes. Mas a justiça é uma virtude toda especial que persigo desde que me entendo por gente.

Justiça é bonito de se ver!
E olha que eu não estou falando de quando (raramente) vemos um político ou um empresário corrupto ser preso no Brasil. (
Quando se fala em justiça, isso é a primeira coisa que nos vêm à cabeça, né?). Também não estou falando daquele terrível bandido/ assassino/ estuprador/ pedófilo que foi condenado com rigor. Muito menos se aquele pênalti ou impedimento foi bem marcado pelo árbitro de futebol.
O que quero propor aqui é uma pequena reflexão sobre a justiça que praticamos em nosso dia a dia.
Claro que isso não se refere a julgar pessoas, pois esse é um terreno perigosíssimo.
Na Bíblia existe um provérbio muito interessante que diz: "Não sejais demasiadamente justos." Acredito que isso se aplica a esse caso, porque a nossa tendencia é julgar as pessoas pela aparência ou por fatos fragmentados; assim sendo, nunca seremos precisos no julgamento. Então, quanto a julgar pessoas
e suas intenções... melhor não! Até porque, na mesma Bíblia encontramos outra importante lição: "Com a mesma medida que julgamos os outros, seremos julgados." Já pensou, que risco?

O que abordo aqui é uma outra faceta da justiça.
Há alguns anos compus uma música pro 'meu' Coral que começa assim: "Em todo o tempo tenho mil escolhas pra fazer". Sim, nossas escolhas têm tudo a ver com a justiça.
Todo mundo quer sempre fazer a melhor escolha e para tanto é preciso julgar; mas pra julgar é preciso saber ouvir e avaliar todas as possibilidades com sabedoria.
Obviamente isso não é fácil e nem sempre acertamos, mas podemos dizer que uma pessoa justa anda em retidão; busca ser correto e íntegro nas mínimas coisas; não passa a mão na cabeça de ninguém porque não tem essa de "protegidos"; defende o que é certo, custe o que custar.
Por isso o símbolo da justiça é a balança (equilíbrio) e uma mulher de olhos vendados (imparcialidade).
(O porquê de ser uma mulher, sinceramente, eu não sei a razão!)



Pena que isso está tão fora de moda!
Hoje em dia, uma pessoa com o perfil acima é vista como trouxa ou mesmo entediante.
Que pena!
Se eu pudesse, escolheria estar cercada de pessoas assim, o tempo todo!

Toda pessoa que lidera qualquer tipo de grupo de gente, tem que buscar sempre agir com justiça. Seja os pais, os professores, os patrões, os chefes de repartição ou departamento... Os liderados têm que sentir que são tratados com igualdade, pois só assim vão respeitar o líder e a punição, quando ela precisar ser aplicada.

Nas relações e em todas as atividades humanas, seremos sempre convidados, pela vida, a escolher entre ser justo ou não; entre devolver o troco a mais ou não; entre jogar o lixo no chão ou não; entre levar vantagem em detrimento do direito do outro ou não; entre prestigiar um circo com animais mal tratados ou não; entre comprar produto roubado ou não; entre economizar água ou não; entre incentivar um ingênuo a fazer papel de idiota ou não; entre participar da campanha do agasalho ou não; entre fazer corpo mole no trabalho, sobrecarregando o colega ou não; entre ter preferência por um filho ou não; entre socorrer uma pessoa que passa por um grande vexame ou não; entre sentar no banco dos idosos no ônibus ou não; entre buzinar na frente de hospitais ou não; entre ir no gerente elogiar o bom atendimento do seu funcionário ou não; entre boicotar toda pessoa ou empresa que descumpre a lei ou não; entre fechar o cruzamento de ruas ou não; entre ajudar um cego a atravessar a rua ou não; entre cumprir aquele passeio prometido ou não; entre fazer acepção de pessoas ou não... Tudo depende da consciência e do senso de justiça de cada um.

Termino com uma história fantástica que ilustra muito bem a mensagem que quero deixar. Eu a li há muitos anos atrás na também fantástica revista Seleções (Readers Digest).
O ator Michael J. Fox fez muito sucesso nos anos 80, principalmente por ter sido o protagonista no filme "De volta para o futuro". Quando ele ganhou seu 1º prêmio de expressão no cinema, chegou em casa todo orgulhoso e pôs seu troféu em um lugar de destaque na estante da sala.
Sua mãe, também feliz e orgulhosa, teve um atitude que poucas, talvez, teriam: foi lá no armário e pegou os troféus que seu outro filho (anônimo) ganhou em campeonatos de natação da escola e os expôs na estante também.

QUE LINDO!
Dou valor demais!