quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vale tudo!

Ah, tááááááá!!!!!! Agora entendiiiiii!!!!!!!
As peças do estranho quebra-cabeça se encaixam direitinho e meus olhos vêem!

Então quer dizer que está em vigor a nova estratégia de "marketing pessoal" do século XXI: escândalos, vexames, micos, saia justa, superexposição, bizarrices, manias esquisitas, qualquer coisa fora do comum ou do normal para estar na mídia, custe o que custar!

Menino, como eu não percebi antes?!
Claro!
Agora tudo se desvenda diante de mim!

Podemos constatar que esse "novo método" é aderido e explorado principalmente por artistas decadentes, que não se conformam com o ostracismo forçado ou por candidatos, (principalmente candidatas!) ao estrelato.
Obviamente que a classe política também usa desses recursos, mas sempre tomando muito cuidado, afinal, não se pode arranhar a imagem junto ao eleitorado, né?

Você pode até argumentar que desde que o mundo é mundo, sempre houve escândalos envolvendo pessoas públicas. É verdade, mas antigamente pessoas flagradas procendendo mal, sofriam a reprovação popular, eram boicotadas e caíam em desgraça. Se quisessem voltar à carreira, tinham que reconquistar seu público. Hoje não! Pessoas com mau comportamento, que dão mau exemplo ,"colhem" espaço na mídia e viram uma espécie de "atração diferente". São convidados especiais dos programas de tv, dão entrevistas, enfim, tiram o máximo de "proveito" por estarem no ar, às vezes até "dão sorte" de manterem por um bom tempo no horário nobre.

Uma pequena prova do quanto os valores estão invertidos é o fato de que antigamente os vilões de novela apanhavam na rua e eram hostilizados pelos telespectadores. Hoje não! Os vilões fazem muito mais sucesso que os mocinhos, tidos como chatos, sem graça, monótonos...


Quem pensa que só o belo e o louvável tem ibope, está muito engando! Atitudes questionáveis e/ou chocantes e/ou ridículas são as novas ferramentas, os novos atalhos usados para quem quer aparecer e "fazer sucesso". Tem gente que faz qualquer negócio e se submete a qualquer tipo de constrangimento, fingem até estarem envergonhados, desde que o retorno seja "se promover".
É por isso que todo dia a gente se depara com notícias assim:
  • cantora bêbada, drogada ou possuída erra a letra do Hino Nacional e deixa o Brasil estarrecido;
  • apresentadora infantil diz que conversa com duendes em sua cama;
  • atriz hollywoodiana rouba peças íntimas de famosa loja de departamentos;
  • comediante centenária mostra os seios em pleno desfile na Sapucaí;
  • cantor que tem medo de avião, some misteriosamente;
  • ex-galã, fortão e garanhão estreia em filme pornô;
  • jogador balofo em fim de carreira faz programa com tres prostitutas e descobre que eram travestis. Sua noiva ameaça deixá-lo;
  • modelo e manequim faz cirurgia plástica para reconstituir o hímem e voltar a ser virgem;
  • senador gagá dá cartão vermelho para senador velhaco;
  • ex-vocalista de banda teen engole uma pilha;
  • socialite carioca e narcisista atira ovos em transeuntes de bairro nobre, do alto da janela do apartamento dum amigo, ex-diretor de tv;
  • filha de apresentadora infantil que conversa com duendes em sua cama escreve errado no twitter e vira motivo de chacota em todo o país;
  • apresentadora anciã dá beijo na boca de cantora baiana;
  • ex-atriz, num momento de fúria, lança seu carro de luxo contra portão do prédio de seu ex-marido cantor;
  • estudante desesperada faz leilão de sua virgindade na internet;
  • cantora internacional lança videoclip onde aparece em cenas quentes com santo da igreja católica;
  • apresentadora e ex-mulher do jogador balofo é filmada transando com namorado em local público a céu aberto, em plena luz do dia e video cai na rede, tendo milhões de acessos no Youtube;
  • cantora de sucesso mostra hematomas e marcas das surras que levava do namorado, um cantor de sucesso;
  • princesinha do pop raspa a cabeça e bate em fotógrafo;
  • ex-dançarina sexy, filha de ex-cantora sexy posa nua com sua nova namorada;
  • modelo e atriz, num momento de descuido, deixa a calcinha à mostra para toda a imprensa nacional;
  • jovenzinho põe video no Youtube com o seu desabafo em defesa da filha da apresentadora infantil que conversa com duendes em sua cama;
O troço é tão sério, que existe até o papagaio de pirata profissional! Aquele tipo que vai a todos os eventos badalados: desfile de moda, estreia de filme ou peça teatral, noite de autógrafos, velórios, missa de sétido dia, audiência no tribunal...
Onde tiver um monte de artistas e jornalistas, lá estará o fulano, só para se postar atrás dos famosos e sair, ao fundo, em todas as revistas ou reportagens de tv.

Que prazer egocêntrico é esse?!
Que necessidade é essa?!

É claro que o reconhecimento é algo positivo e todos o almejam por ser altamente motivador; mas a gente sempre parte do pressuposto que uma pessoa quer ser reconhecida por algum trabalho relevante que fez, oras!
O problema é que o conceito de "trabalho" também foi alterado nesses dias modernos em que vivemos. Hoje em dia, até frequentar festas é "trabalho"! O que se ganha com isso, além da diversão? Dependendo do "artista", um bom cachê e, claro, aquilo que pra muitos não tem preço: visibilidade!


Isso me fez lembrar uma música do Jair Oliveira, cuja letra é o fiel retrato dessa nossa sociedade fútil, que quer fazer da vida um reality show, só pra alcançar a fama:

Todo Mundo Famoso

Cheguei em casa sem o que fazer
Vi que um amigo estava na TV
Fazendo o que, eu não sei bem dizer
Estava em uma casa luxuosa dizendo bobagens
Saí pra rua para refletir
Um guarda de rua veio me pedir
O meu autógrafo de "souvenir"
E vi que aquele guarda também era uma celebridade

Curioso!
Tá todo mundo famoso
Duvidoso!
Não sei se é bom ou perigoso
É todo mundo famoso
Todo mundo querendo atenção
Tá todo mundo famoso
Todo mundo famoso
Tá todo mundo famoso
Todo mundo famoso

Na padaria agora é normal
Encontros de coluna social
Donas de casa de padrão global
E segurança dando mais autógrafos que o protegido
Voltei e desliguei minha TV
Deitei na cama e pude perceber
Que havia câmeras em meu "apê"
Ou o mundo está ficando doido
Ou eu que estou perdido

Alguns artistas, no fundo do poço do esquecimento popular, ao verem frustradas todas as suas tentativas de volta ao sucesso, chegam ao extremo e dão sua última e decisiva cartada: morrem!
Vão virar notícia na certa!

Não sei pra quê Andy Warhol foi falar aquela maldita frase que "no futuro toda a gente será famosa durante quinze minutos".
Tá vendo? Uma multidão tem levando isso à sério demais!

É assustador, mas a filosofia daquele velho político-ladrão paulista parece ter tomado conta do inconsciente coletivo: "bem ou mal, falem de mim".

Me inclui fora dessa, ok?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Distraída, eu?! (Parte II)

Está cada vez mais difícil adiar o momento em que terei de encarar o manto, a coroa, o cetro e o título de "Rainha da Distração", depois da cena que protagonizei ontem!

Há alguns dias, meu marido e eu planejamos fazer uma viagem a São Paulo, pra algumas compras. Viagem relâmpago, do tipo bate e volta, mas uma viagem, já que ele está de férias e é sempre bom dar uma escapada de BH.
Ele fez essa viagem no ano passado e, apesar de super cansativa, gostou da experiência, pois fez ótimas compras pra loja da família. (Essa era a nossa intenção agora, de novo. Eu disse ERA!)

No fim da tarde de ontem, meu genrinho querido passou aqui em casa pra nos buscar e nos levar ao terminal rodoviário, de onde partiríamos num ônibus maneiríssimo, às 7:00 da noite.
Eu, feliz da vida, toda serelepe, principalmente por não ter que fazer mala nenhuma, estava pronta pra me jogar em São Paulo, que tanto gosto.
Lá fomos nós.

Chegamos na agência de turismo, responsável pela viagem, no horário certinho, um pouco antes das 6:30 da tarde.
Enquanto o genro estacionava o carro pra esperar minha filha, que se encontraria com a gente lá, eu me sentei numa cadeira dentro da agência e meu marido foi fazer os acertos com a funcionária.

Eis que ela comete a barbaridade de pedir os nossos documentos! Meu marido abriu a carteira, pegou a identidade dele, olhou pra mim e comete a barbaridade de me pedir a minha!
(...)
Quem falou que eu levei?!
(...)
Eu simplesmente me esqueci!
(...)
Minha nossa!
Eu estava lisa, lesa e louca! Sem lenço e sem documento algum!
(...)
O que é isso, minha gente?!
Como assim?!


Eu fiquei pa-ra-li-sa-da, com a boca arriada e olhos arregalados, fixos no meu marido, torcendo desesperada pra que ninguém presente ali percebesse o que tinha acontecido!
S O C O R R O!

Que decepção! Que vergonha! Que raiva de mim!
Quem já viu alguém ir viajar e não levar nenhum documento de identificação?!
Gente, isso é tão elementar!
Logo eu, que há tanto tempo organizo todas as viagens do "meu" Coral e sei, mais que ninguém, a necessidade de se levar qualquer documento de identidade!

O vexame do ano!

Eu quis me esconder dentro de uma garrafa, como fazia Jeannie é um gênio!

Meu marido, que conhece muito bem o seu gado, mais uma vez foi discreto e generoso comigo, mas mais que depressa pelejava pra achar uma solução.
A essa altura meu genro tinha chegado lá com a minha filha, que ficou estarrecida com o meu "feito"!
"Mãe! Nem na padaria a gente deve ir sem documento!"
Ó Dio mio!
Sem falar que
se eu estivesse ali sozinha e morresse, seria sepultada como indigente!
AFE!

Meu genrinho, sempre com muita iniciativa e super boa vontade, conversou com o guia, pra segurar a saída do ônibus um pouquinho e praticamente me puxou pela mão pra virmos aqui em casa buscar o raio do documento. Eu até entrei no carro com ele, mas completamente desanimada por ver a dureza da realidade: não daria tempo!
Se estivéssemos em qualquer outro horário do dia, talvez desse, mas na hora do auge do rush... sem chance!
Chegamos a dar a volta no quarteirão, mas ele mesmo viu que seria em vão, pois o trânsito tava impossível!

Voltamos pra agência, no terminal, onde meu marido, ciente de que a qualquer momento apareceríamos com o rabinho entre as pernas, já estava cogitando contratar um motoboy. Meu genro, então, começa a dar zilhões de telefonemas pra localizar alguém de confiança, da empresa dele.
Mas aí meu marido tem uma ideia melhor: mandar o documento por fax!
Ele perguntou na agência se seria possível, naquela pressão toda, o pessoal lá falou que tudo bem.
Plim! Uma pequenina luz se acende lá longe!
Ô glória!


Ele liga aqui pra casa, relata o ocorrido ao meu filho, que tinha acabado de chegar da escola, e manda que ele providencie o envio da minha identidade com urgência total!
O detalhe é que não temos fax em casa.
Lá vai meu filho caçar um fax em algum estabelecimento comercial do nosso bairro!
Ó céus!

Achar, ele até achou, mas, misteriosamente, nenhum funcionou. Nem o aparelho de onde ele tentou enviar, nem os 3, da agência e de outras agências vizinhas, que receberiam!
No fim, cheguei à conclusão que todos os aparelhos de fax da cidade estavam com defeito!
Que coisa, viu?

É... não deu!
Não era mesmo pra gente viajar naquele dia!
Como sabemos que em tudo devemos dar graças, chegamos em casa e agradecemos a Deus. Seja lá pelo que for, agradecemos!

Bem, nem tudo ficou perdido! Saímos da agência com os nossos nomes já matriculados pra próxima viagem, amanhã à noite. Só que dessa vez, vou levar não só o meu RG, mas também o CPF, CNH, certidão de nascimento, carteira da Ordem dos Músicos do Brasil, título de eleitor, certificado de batismo e o resultado dos meus mais recentes exames laboratoriais, mais a mamografia; só pra garantir, né?

Mas... vou te contar, viu? Duro mesmo está sendo aguentar a zuação implacável do meu marido, remedando, o tempo todo, a cara que eu fiz naquela hora infeliz!
ahahahahaha!!!!!
Hilário!

Rir pra não chorar!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Homenagem ao malandro

Acabo de ouvir no rádio uma música do sempre genial Chico Buarque.
Como esse cara sabe das coisas!
Uma música feita há tanto tempo e tão atual! (Que país é esse?!)
Aliás, o 3º parágrafo dessa música é o retrato perfeito dos noticiários desses últimos dias em que só se ouve sobre secretária versus ministra, a velha guerra das emissoras de tv e dos abusos, manobras e um desfile de horrores praticados por pastores-monstros, senadores-monstros, médico-monstro... QUE NOJO! NO-JO! N-O-J-O!


A música fala de malandragem, mas você pode substituir por "pilantragem", que também dá certinho!

Abaixo, a letra:

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem
que conheço de outros carnavais

Eu fui à Lapa e perdi a viagem
que aquela tal malandragem
não existe mais

Agora já não é normal
o que dá de malandro regular, profissional
malandro com aparato de malandro oficial
malandro candidato a malandro federal
malandro com retrato na coluna social
malandro com contrato, com gravata e capital
que nunca se dá mal

Mas o malandro pra valer
- não espalha
aposentou a navalha
tem mulher e filho e tralha e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha
mora lá longe e chacoalha
num trem da Central


Chico Gênio! Bravo! Bravo!

Ainda bem que no meio de tanta lama e podridão, existe espaço pro atleta jamaicano Usain Bolt, um malandro do Bem que tem fascinado e divertido o mundo com sua competência e malandragem totalmente inofensiva.




domingo, 2 de agosto de 2009

Jill & Kevin

Ontem assisti a um video no Youtube, do qual já havia ouvido falar há alguns dias.
Trata-se de uma cerimônia de casamento, onde os padrinhos e noivos fazem do ritual da entrada (de uma maneira totalmente inusitada) um verdadeiro acontecimento! Acontecimento esse que, aliás, não marcou apenas os convidados presentes, mas também outras tantas pessoas que nem sequer conhecem o casal. Basta ver que as visualizações passam da casa dos 14 milhões! Um espanto!

Mais que fascinada pela inovação e ousadia, fiquei emocionada por ver ali uma alegria explícita! Não só dos noivos, mas também dos amigos envolvidos que participaram do show. Todos celebrando o dia que deveria ser o mais especial na vida de qualquer pessoa.
É lindo! Completamente lindo!

A única coisa profundamente lamentável (pôxa, um "detalhe" tão importante!), é que tudo acontece DENTRO DE UMA IGREJA, o que é absolutamente inconveniente! Mas é tudo tão sincero e contagiante, que a gente é obrigado a relevar, vai!

Como não consegui descobrir como se faz pra adicionar o video aqui, vai aí o link (
http://www.youtube.com/watch?v=4-94JhLEiN0) pra você colar no seu navegador. Se não souber como se faz isso, vá no youtube e digite no campo de pesquisar: "JK wedding entrance dance".
É SENSACIONAL!
Com toda a certeza você nunca viu nada parecido!


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ser ou não ser justo

É difícil dizer, dentre tantas virtudes, qual delas é a mais nobre e admirável. Na verdade, todas elas o são, pelo simples fato de serem virtudes. Mas a justiça é uma virtude toda especial que persigo desde que me entendo por gente.

Justiça é bonito de se ver!
E olha que eu não estou falando de quando (raramente) vemos um político ou um empresário corrupto ser preso no Brasil. (
Quando se fala em justiça, isso é a primeira coisa que nos vêm à cabeça, né?). Também não estou falando daquele terrível bandido/ assassino/ estuprador/ pedófilo que foi condenado com rigor. Muito menos se aquele pênalti ou impedimento foi bem marcado pelo árbitro de futebol.
O que quero propor aqui é uma pequena reflexão sobre a justiça que praticamos em nosso dia a dia.
Claro que isso não se refere a julgar pessoas, pois esse é um terreno perigosíssimo.
Na Bíblia existe um provérbio muito interessante que diz: "Não sejais demasiadamente justos." Acredito que isso se aplica a esse caso, porque a nossa tendencia é julgar as pessoas pela aparência ou por fatos fragmentados; assim sendo, nunca seremos precisos no julgamento. Então, quanto a julgar pessoas
e suas intenções... melhor não! Até porque, na mesma Bíblia encontramos outra importante lição: "Com a mesma medida que julgamos os outros, seremos julgados." Já pensou, que risco?

O que abordo aqui é uma outra faceta da justiça.
Há alguns anos compus uma música pro 'meu' Coral que começa assim: "Em todo o tempo tenho mil escolhas pra fazer". Sim, nossas escolhas têm tudo a ver com a justiça.
Todo mundo quer sempre fazer a melhor escolha e para tanto é preciso julgar; mas pra julgar é preciso saber ouvir e avaliar todas as possibilidades com sabedoria.
Obviamente isso não é fácil e nem sempre acertamos, mas podemos dizer que uma pessoa justa anda em retidão; busca ser correto e íntegro nas mínimas coisas; não passa a mão na cabeça de ninguém porque não tem essa de "protegidos"; defende o que é certo, custe o que custar.
Por isso o símbolo da justiça é a balança (equilíbrio) e uma mulher de olhos vendados (imparcialidade).
(O porquê de ser uma mulher, sinceramente, eu não sei a razão!)



Pena que isso está tão fora de moda!
Hoje em dia, uma pessoa com o perfil acima é vista como trouxa ou mesmo entediante.
Que pena!
Se eu pudesse, escolheria estar cercada de pessoas assim, o tempo todo!

Toda pessoa que lidera qualquer tipo de grupo de gente, tem que buscar sempre agir com justiça. Seja os pais, os professores, os patrões, os chefes de repartição ou departamento... Os liderados têm que sentir que são tratados com igualdade, pois só assim vão respeitar o líder e a punição, quando ela precisar ser aplicada.

Nas relações e em todas as atividades humanas, seremos sempre convidados, pela vida, a escolher entre ser justo ou não; entre devolver o troco a mais ou não; entre jogar o lixo no chão ou não; entre levar vantagem em detrimento do direito do outro ou não; entre prestigiar um circo com animais mal tratados ou não; entre comprar produto roubado ou não; entre economizar água ou não; entre incentivar um ingênuo a fazer papel de idiota ou não; entre participar da campanha do agasalho ou não; entre fazer corpo mole no trabalho, sobrecarregando o colega ou não; entre ter preferência por um filho ou não; entre socorrer uma pessoa que passa por um grande vexame ou não; entre sentar no banco dos idosos no ônibus ou não; entre buzinar na frente de hospitais ou não; entre ir no gerente elogiar o bom atendimento do seu funcionário ou não; entre boicotar toda pessoa ou empresa que descumpre a lei ou não; entre fechar o cruzamento de ruas ou não; entre ajudar um cego a atravessar a rua ou não; entre cumprir aquele passeio prometido ou não; entre fazer acepção de pessoas ou não... Tudo depende da consciência e do senso de justiça de cada um.

Termino com uma história fantástica que ilustra muito bem a mensagem que quero deixar. Eu a li há muitos anos atrás na também fantástica revista Seleções (Readers Digest).
O ator Michael J. Fox fez muito sucesso nos anos 80, principalmente por ter sido o protagonista no filme "De volta para o futuro". Quando ele ganhou seu 1º prêmio de expressão no cinema, chegou em casa todo orgulhoso e pôs seu troféu em um lugar de destaque na estante da sala.
Sua mãe, também feliz e orgulhosa, teve um atitude que poucas, talvez, teriam: foi lá no armário e pegou os troféus que seu outro filho (anônimo) ganhou em campeonatos de natação da escola e os expôs na estante também.

QUE LINDO!
Dou valor demais!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pequena homenagem antes do adeus

Desde que surgiu, sua especialidade se tornou assombrar o mundo!
Primeiro com seu talento absurdo de artista completo; e por último, um artista tão talentoso e seus completos absurdos!

Quando o seu quinteto atravessou as fronteiras da própria casa, em direção ao topo do mundo, ele, o caçula aos 10 anos de idade, já tinha 5 discos gravados! (Onde já se viu uma coisa dessa?!)
Ao se separar dos seus irmãos, ninguém nunca podia imaginar que ele entraria numa viagem sem volta, rumo ao sucesso absoluto!

E foi sucesso atrás de sucesso! Vitória em cima de vitória! Recordes quebrando recordes! Ninguém alcançou suas marcas!
Será que algum outro artista emplacou mais hit's que ele? Será que algum outro artista teve mais intimidade com as paradas da Billboard, o termômetro mais preciso de quem manda musicalmente?
Acho muito difícil, mesmo para nomes como Beatles ou Elvis.

No início tudo era uma deliciosa novidade: o som e a dança inigualáveis!
Ele, super disciplinado, tinha obcessão por ser original, inovador. Mas mais que inovar, ele revolucionou a música, a dança e principalmente o jeito de fazer videoclipes. Foram tantos! Cada um mais fantástico e surpreendente que o outro! (Acho que conheço todos eles).

Como musicista, eu sempre admirei seu repertório variadíssimo, com aqueles vocais incríveis, poderosos e tão característicos ("Rock with you", "Off the wall", "Remember the time", "You rock my world", "Break of dawn", "Blame it on the boogie"...), riff's inesquecíveis ("Thriller", "Wanna be startin' somethin", "Black or white"...) aquelas batidas sensacionais ("Don't stop 'til you get enough", "In the closet", "They don't care about us"...) que não deixavam ninguém parado!
Mas nem tudo era alto astral. Ele fez melodias melancólicas como "Give in to me", "Earth song", "The lost children" e a tristíssima "Happy".

E as baladas românticas? ("The lady in my life", "One day in your life", "You are my life", "I just can't stop loving you", "Gone to soon"...) Noooooooossa!!!!
Sem falar em alguns clássicos, com mensagens tão bonitas que até hoje me levam às lágrimas, como "Heal the world", "Cry" e "We are the world".

Em tudo que envolve e abrange música, ele deu aula!

Sua influência foi tão vasta e inegável, que ele alcançou até a música cristã contemporânea. Quando ouvimos "Ben", "Music and me", "I'll be there", "Got to be there" ou "You are not alone", vemos arranjos muito familiares.
E o contrário também é verdadeiro, pois a música gospel americana notoriamente o inspirou como em "Man in the mirror", "Keep the faith" e "Will you be there", onde logo na introdução, ouve-se um coral que parece ter saído dos tempos de Martinho Lutero.

Ele retratou, como poucos, o tal sonho americano. Em sua brilhante carreira de artista consagrado nos 4 cantos do globo terrestre, abraçou todas as honras possíveis que um mortal pode ter.
Se bem que ele não parecia ser um mortal qualquer. Era uma máquina! E ele mesmo entrou numas de se achar diferente dos demais mortais. Na verdade, ele parecia realmente crer que era imortal; até batizou o seu lar doce lar de Terra do Nunca.

Foram 45 anos dedicados à música. E música da melhor qualidade!
Consequentemente vieram o dinheiro (muito dinheiro), a fama, os abusos, a superexposição e a exaustão.
Conheceu as glórias e agruras do sucesso; diante dos nossos olhos, ele foi do céu ao inferno; todos nós testemunhamos a ascenção e queda de um rei.

De menino prodígio - às custas de muita opressão, maus tratos e cobranças desumanas feitas por um pai carrasco, inescrupuloso e repugnante - ele se tornou um homem perturbado e experimentou uma vida cheia de altos e baixos, com direito a uma infinidade de polêmicas, escândalos, mistérios e homéricos prejuízos financeiros e moral.

Ai meu pai, como esse homem vacilou na vida!
Não deu outra: foi parar no limbo da decadência.

Mas mesmo decadente, ele sempre foi notícia.

Protagonizou péssimas escolhas que repercutiram longe e longamente.
Alguém aí engoliu seu casamento com Lisa Marie Presley?!
Alguém aí entendeu como se deu a sua paternidade?! A mãe era biológica ou "só" uma barriga de aluguel?! E aquelas crianças tão branquinhas e loirinhas?! (Ele embranqueceu, mas seu dna permaneceu black, gente!)

Houve um tempo em que ele vivia nas manchetes dos jornais, não por causa de sua arte, mas por tantos motivos negativos: as brigas familiares, as plásticas intermináveis, o vitiligo, o aspecto andrógino, o seu estilo de vida estranhíssimo, a sua aparência física monstruosa e por ter sido figura fácil no banco dos réus, com um montão de processos nas costas.

Dentre tantos fatos inusitados e desconfortáveis, uma coisa sempre me intrigou: por que será que ele insistia em fazer cara de mau, tentando vender uma imagem de durão, agressivo e até violento? Em seus clipes era muito comum vê-lo associado com gang's, brigas de rua, sedução da mulher alheia, gritos, quebradeira (janelas, carros)... Por que essa necessidade de auto-afirmação? Será que ele achava que convencia alguém?!
Sem dúvida ele criou um personagem para fugir de sua realidade infeliz. Aquele cara dos palcos era o seu alter ego.

Mas eu nunca caí nessa, ao contrário; apesar disso tudo, ele me passava muito mais a imagem de pessoa doce, sensível e frágil, do que de "Bad" ou "Dangerous".
Por isso mesmo, nunca acreditei que ele fosse capaz de cometer uma barbaridade como a pedofilia.
Não! De jeito nenhum!
Ele amava as crianças porque se sentia uma delas.
Nesses últimos dias eu vi o relato de muitos amigos dizendo que ele era um cavalheiro.
As crianças, inclusive, sempre foram o maior alvo de sua generosidade e benemerência.

Ouvi também muitas comparações com a vida e carreira do Elvis. Realmente há muitas semelhanças: ambos tinham uma dança única, um figurino único e foram igualmente vítimas de parasitas que os exploraram até à última gota!
A grande diferença entre os dois, talvez, é que um se perdeu por causa da ausência da mãe e o outro se perdeu por causa da presença do pai.

Michael Jackson foi o maior ídolo que tive em toda a minha vida!


Assim como o homem mais poderoso da terra, Barak Obama, e milhões ao redor do planeta, eu também cresci ouvindo Jackson's 5 e depois acompanhei intimamente sua carreira solo.

Mas foi a partir do extraordinário álbum "Thriller" (1982) que, em minha adolescência, virei uma verdadeira fã!
Gastava minha mesada comprando discos, revistas e cheguei a andar com milhares de botton's de Michael Jackson em minha jaqueta.
Eu e meu irmão o idolatrávamos! Consumíamos tudo que vinha dele!
N
a música "The girl is mine", Michael Jackson e Paul McCartney fazem um dueto e um diálogo. Eu era o Michael e meu irmão era o Paul. Depois isso era invertido, para sermos justos!
Passávamos horas e horas ouvindo e aprendendo suas músicas, decorando seus improvisos, lendo sobre ele e, claro, tentando de todo jeito descobrir o segredo do "moonwalker".

Foi a época em que estive mais próxima do meu irmão, pois já estávamos deixando aquelas infantilidades de brigas e competições tão comum entre irmãos e descobrindo que podíamos ser grandes amigos. Mas como me casei muito cedo, aos 18 anos (1986), tivemos pouco tempo pra isso.
Michael Jackson me remete justamente a esse período tão feliz e saudoso da minha vida.

É bem verdade que o rei do pop me fez muitas raivas também, quando algumas vezes, foi obsceno demais, bizarro demais e até piégas demais! Sua magreza excessiva também me incomodava. (Pôxa, 50 quilos?!)

Com a maturidade veio o entendimento dos terríveis perigos e malefícios de toda e qualquer forma de idolatria e fanatismo. Há muito tempo abandonei essas coisas, mesmo assim, sempre guardei um profundo carinho e respeito por esse artista sem igual.

Pra mim ele foi tão gênio quanto Bach, Leonardo da Vinci, Shakespeare, Isaac Newton, Albert Einstein, Pelé e alguns outros raros seres que passam pela terra e deixam pra sempre sua marca na História.
Michael Jackson foi o maior popstar que o mundo já viu!
Nunca mais haverá outro como ele!
Sua obra atravessará gerações porque foi consistente, significativa e tão relevante.

Na noite de quinta-feira, 25 de junho, ao receber, à queima roupa, a notícia de sua morte, por um amigo e funcionário da família, fiquei paralisada, em choque! (Eu nem sabia que ele havia "subido no telhado"!)
Que perda! Muito difícil de acreditar.
Fiquei tristíssima!

Eu choro a sua morte porque tenho muita pena de quem ele se transformou nos últimos tempos; pena de seus filhos que perderam seu mais confiável protetor e a partir de agora serão disputados como se fossem galinhas dos ovos de ouro; mas acima de tudo, choro pela falta que ele vai fazer. Tenho muita pena da música, que nunca mais será a mesma sem ele.
(1958 - 2009)


domingo, 5 de julho de 2009

Vale Oscar (1)

Só ontem, finalmente, pude assistir à película "O curioso caso de Benjamin Button".
Que filme! (Adoro drama!)
Roteiro incrível e desconcertante, mas uma linda história de amor.


Vencedor merecido de 3 Oscar's (
nas categorias de Melhores Efeitos Especiais, Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem) o enredo foi inspirado na famosa frase do escritor americano, Mark Twain: "A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18".
(Discordo totalmente!)

Não vou comentar o filme pra não cair na tentação de contar tudo e tirar o seu interesse, mas além do ótimo programa, o filme em si, duas coisas antagônicas me chamaram a atenção nos atores principais: a beleza e a feiúra.
Brad Pitt, com a impressionante maquiagem de velho, está assustador; mas ao natural, lindo como sempre!
Cate Blanchett é que foi uma surpresa pra mim: uma beleza aristocrática de entorpecer!
Já a Julia Ormond, no papel de filha, está caidaça! Nem parece aquela linda mulher de "Lendas da paixão" ou a Gwenevere, que provocou uma guerra em Camelot entre o Rei Arthur e Lancelot, no filme "Lancelot, o primeiro cavaleiro".

Se você quer assistir a um filme com uma história original e muito interessante, recomendo "O curioso caso de Benjamin Button" com louvor!
Mas é bom reforçar o estoque de pipoca, porque trata-se de um longa com quase 3 horas de duração.